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| Dília Gomide |
Vindos da Itália, em 1800, centenas de italianos aportaram em Santos, São Paulo. Dentre eles, da cidade de Bagni de Lucca, Carlo Pieri e sua esposa Benedita, de origem aristocrática, sangue azul, e, também, Lourenço Paoli. Este, mais tarde, acompanhando Carlo Pieri a Viçosa, enamorou-se de Melide Domenici, contraíram núpcias e tiveram dois filhos. Dília, a nossa biografada, e Shely. Em conseqüência da epidemia de febre-espanhola que assolou o País, Melide teve a vida ceifada, no verdor dos 21 anos de idade, juntamente com seu filho Shely. Paoli regressou a São Paulo, deixando Dília, nascida em 15 de janeiro de 1905, sob os cuidados do casal Pieri, que, carinhosamente, a adotaram como filha. Num ambiente, mescla de plebe e aristocracia, ela foi crescendo, mimada e sofrida. Roupa de linho, bem talhada, vinda especialmente de famosa casa de modas do Rio de Janeiro. Muitas jóias. Professores particulares de piano, pintura, desenho e bordado. Situação de tirar o sossego de invejosos. Sua mãe, Benedita, havia prometido Dília, em casamento, a seu primo Paridi, italiano, de altíssimo poder aquisitivo, proprietário de haras, em Boston. O que se concretizaria, com pompas aristocráticas, tão logo ela concluísse o Curso Normal, em 1924. Acontece que o coração da pretendida, há muito, pulsava uníssono ao de Antônio SantAna Gomide, Totone, de família viçosense. Assim, antes da chegada de Paridi ao Brasil, eles, às escondias, procuraram o padre Álvaro Correia Borges que os casou, na cidade de Teixeiras, MG. Estremecidos os laços de confiança, Benedita cortou-lhe a ajuda financeira. Dília, mulher de fibra, esposa e mãe exemplar foi uma insigne professora. Fez de seus alunos outros filhos. Empregava o seu salário na aquisição de merenda, uniformes e outros objetos escolares, para os menos favorecidos. Aqueles que tinham dificuldade em aprender ela os levava a sua casa, dando-lhes aulas extras, até dominarem a matéria. Caneta, lápis, giz, bomba de gasolina e fogão. Mancha vermelha no rosto, corpo físico se consumindo, beleza espiritual, a cada dia, crescendo aos olhos de de Deus. Muitas pessoas devem ainda se lembrar daquela senhora de casaco preto, comprido, meias grossas de algodão, atravessando a praça da matriz, rumo ao grupo escolar. Não caminhava, à sós, nas manhãs frias, de cerração fechada. Com ela, Nenzinha, Ritoca, Genita, Carmita Pacheco, Donana, Chiquinha, Alice, Cármem Costa Val, Aurita Saraiva e Argina Silvino começavam a história do ensino primário, em Viçosa, com abnegação e respeito. Dília teve quatro filhos: Carlos Joaquim Gomide, Melide Elisa Gomide Prado, José Lourenço Gomide e Antônio Fernando Gomide. Treze netos e vinte bisnetos. |
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