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João Braz da Costa Val

Nasceu em Viçosa, aos 11 de julho de 1894. Filho de João Braz da Costa Val e de Francisca Bernardina da Costa Val, naturais de Piranga. Seu pai, Tabelião do 2. Oficio do Registro de Imóveis, faleceu em 1898.

Cedo teve que enfrentar as dificuldades da vida. Após as primeiras letras, João Braz, aos doze anos de idade, numa época em que estudar era tarefa difícil e reduzido o número de colégios, foi para um educandário, internato, em que havia também formação religiosa, nas proximidades dó Juiz de Fora. Freqüentou, depois, o Ginásio, que se instalara em sua terra natal. Ainda no período estudantil, retomou a Juiz de Fora, transferindo-se, em seguida, para o Rio de Janeiro, sempre trabalhando para custear os seus estudos. Diplomou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, em 1918, abrindo logo, escritório em Viçosa.

Em 1920, casou-se com Vicentina Martino, filha de Nicola Martino e Giovanina Blasi Martino, italianos, radicados em Viçosa, sendo o Sr. Nicolau, como era conhecido, proprietário e dirigente da alfaiataria "A Tesoura Infalível" que, por muitos anos, alcançou notoriedade na Zona da Mata.

João Braz da Costa Val, além de advogado competente e entusiasta, atuou também no jornalismo, principalmente na Gazeta de Viçosa, fundada por seu irmão Heráclito. A Revolução de 1930 acarretou, de imediato, a alteração de normas administrativas e de comandos políticos, ocorrendo o afastamento de vários ocupantes de cargos municipais, porém, o Governo do Estado manteve o Dr. João Braz na chefia da administração viçosense. Encerrava-se, então, o período dos presidentes de Câmara e agentes executivos. Em 14 de janeiro de 1931, viu-se João Braz nomeado prefeito de Viçosa, atribuição que exerceu até 18 de outubro de 1932, dela se demitindo, a pedido. Candidato a deputado estadual, nas eleições de 1934, pelo P.R.M. obteve excelente votação.

Como diretor, em 1938, reinstalou a Gazeta de Viçosa, que havia deixado de circular. Novamente nomeado prefeito municipal de Viçosa, em 1937, exerceu o cargo até 18 de março de 1943, quando se demitiu, a pedido, sendo, nesta data, nomeado juiz municipal da 1ª Vara Criminal da comarca de Belo Horizonte. Em seguida, modificando-se os termos da legislação aplicável à magistratura, submeteu-se a concurso, tendo sido aprovado. Seu nome integrou-se a inúmeras listas tríplices votadas pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Foi juiz dos Feitos da Fazenda da Capital, até o seu falecimento.

São seus filhos: João Braz da Costa Val Filho casado com Teresinha Maciel da Costa Val; Nicolau da Costa Val, casado com Teresa Solha Val; Ruy da Costa Val (falecido), casado com Olga Maria Ferreira da Costa Val; Vicente de Paulo Costa Val, casado com Zoé França Costa Val (falecida); Heraldo da Costa Val, casado com Maria Lúcia Orsini Costa Val; Marcelo da Costa Val, casado com Maria Auxiliadora Lentine Costa Val; Paulo Antônio da Costa Val, casado com Lívia Glória Seabra da Costa Val (falecida); Maria Teresinha da Costa Val Araújo, viúva de Antônio Araújo do Rosário; e José Aloísio da Costa Val, casado com Wanda Pimenta da Costa Val. Deixou numerosos netos e bisnetos. Todos os filhos do Dr. João Braz são viçosenses. Eram seus irmãos: Virgílio Augusto da Costa Val, casado com Ana Gomide Costa Val; Antônio da Costa Val, casado com Maria José da Conceição Val: Heráclito da Costa Val, casado com Isabel Gomes da Costa Val; Maria Lina Val de Castro, casada com José Augusto de Castro; Honorina da Costa Val Ferreira, casada com João José Ferreira; Alice Costa Val Damasceno, casada com Rodolfo Damasceno; José Braz da Costa Val casado com Rita Galvão Costa Val e Carlota da Costa Val Gomide, casada com Pedro Gomide.

João Braz, católico, de primorosa formação cultural humanista, era afável, cavalheiro, de espírito caridoso dedicado à família e às atividades sociais e educativas. Manteve perfeito convívio com estudantes e instituições culturais, em Viçosa e em Belo Horizonte. Presença constante em solenidades e reuniões na Escola Superior de Agricultura de Viçosa, no Ginásio de Viçosa, na Escola Normal Nossa Senhora do Carmo e nos Grupos Escolares. Em certo período, estabeleceu-se entendimento entre a sua administração e o Ginásio de Viçosa para permitir o estudo aos menos favorecidos. Na capital lecionou em alguns educandários. Homem público atuante, mas discreto e equilibrado. Apreciava artes e esportes. Foi juiz do Tribunal de Justiça Desportiva.

Faleceu aos 13 de setembro. de 1957, em Belo Horizonte. À notícia de sua morte, houve expressivas manifestações de pesar no Tribunal de Justiça, na Assembléia Legislativa, na Prefeitura, na Câmara Municipal, na imprensa e em clubes esportivos. Seu nome foi dado, na Capital, a uma conhecida via pública, no Bairro São Lucas. Na Academia Municipalista de Letras de Belo Horizonte, o seu nome figura na galeria dos patronos, sendo a respectiva cadeira ocupada por sua filha Maria Teresinha da Costa Val Araújo. Na Assembléia Legislativa Estadual houve vários votos de pesar pelo seu falecimento. De um deles: "Manifestando o seu pesar pelo passamento do Dr. João Braz da Costa Val, esta Assembléia reconhece, ao mesmo tempo, os méritos e peregrinas qualidades de caráter de um mineiro que se distinguiu, de modo brilhante, em todos os postos que ocupou. Efetivamente, exerceu com a honradez, característica dos mineiros de boa têmpera, o cargo de vereador na Câmara Municipal e as funções de seu presidente e chefe do Executivo de Viçosa, por vários anos, sempre cercado da confiança e do apreço dos seus conterrâneos. Várias vezes prefeito municipal, durante doze anos alternados, havendo deixado aquelas funções, em 1943, para exercer, na Capital do Estado, o cargo de juiz municipal da 1ª Vara Criminal e Vara dos Feitos da Fazenda, tendo, em numerosas oportunidades, alçado as funções de juiz de Direito. Participou os movimentos políticos que empolgaram o nosso Estado, sendo o primeiro suplente a deputado estadual, pelo antigo P.R.M, na legislatura de 1934. De formação moral esplêndida, educou toda a família nos princípios de rígida moral cristã. Encaminhou todos os filhos na rota do bem, proporcionando-lhes perfeita preparação para a vida. Trabalhou ininterruptamente, não tendo mesmo conhecido os lazeres do descanso..."

À beira do seu túmulo, o juiz João Procópio de Carvalho proferiu emocionado discurso, que a Folha de Minas publicou, e do qual constam as seguintes expressões: "Desaparece um juiz do alto porte, um grande companheiro, um grande amigo e um chefe de família modelar! Raros são, de fato, os juízes que hajam reunido em perfeita harmonia tão excelsos dotes de espírito".

Seu nome foi dado, em Viçosa, a um de, seus mais importantes bairros.


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