Retorna à TDnet
Home História Famílias Fotos
Joaquim Lopes de Faria

Nasceu em Viçosa, aos 17 de outubro de 1888, filho de Antônio Lopes de Faria Sobrinho e Maria Madalena Lopes de Faria. Aqui cresceu, casou-se, criou seis filhos, e morreu, no dia sete de outubro de 1973. Seu pai foi o legendário Nico Lopes, que empresta seu nome à tradicional marcha dos calouros da Universidade Federal de Viçosa, evento realizado, anualmente.

Joaquim Lopes de Faria viveu numa Viçosa bastante diferente da atual, quando as pessoas eram conhecidas por referências tais como "Joaquim do Nico". Apelidado também de Joaquim Seleiro, por seus trabalhos artesanais em couro. Confeccionava, artisticamente, arreios, bainhas de faca, capas de armas, perneiras e artigos de montaria, em geral.

Teve sua oficina em diferentes pontos da cidade. Aos 30 anos de sua vida profissional, funcionava à Rua Benjamim Araújo, próxima ao Hospital São Sebastião. Tomou-se ponto de encontro, com seus amigos médicos que clinicavam naquela Casa de Saúde: Dr. Sebastião Ferreira da Silva e Dr. Felicíssimo de Paula Xavier, entre outros, para o famoso dedo de prosa. Esse hábito, tomou-se conhecido de seus pacientes que, ao necessitar de um deles, iam à oficina do Só Joaquim. As visitas mais longas eram as do Dr. Felicíssimo, que se prolongavam, na casa do artesão, à Rua Artur Bernardes, 111. O tempo de visita só terminava, após servido o café, e lido todo o "Estado de Minas".

Joaquim Lopes de Faria foi homem de muitos amigos. Cordial e ameno, disposto para o trabalho. Com seu artesanato e a ajuda de Geraldina Machado Lopes de Faria (D. Mulata), sua esposa, com quem viveu 55 anos, criou e educou bem todos os filhos. Teve vida simples, mas feliz. Tinha sempre uma anedota, um chiste, uma peça, para divertir os amigos e familiares. De quando, em quando, visitava os filhos que moravam em Belo Horizonte. Realizou algumas viagens pelas redondezas de Viçosa, mas nunca ultrapassou os limites de Minas Gerais. Teve entranhado amor pela sua cidade, e Viçosa lhe bastava.

São seus filhos: José Lopes de Faria, médico veterinário, radicado em Belo Horizonte, casado com Sali Cançado Lopes de Faria e teve cinco filhos: Eduardo Celso, Dalton, Vânia e Nísia; Antônio Lopes de Faria, farmacêutico, residente no Rio de Janeiro, casado com Léa Leitão de Faria. Teve os filhos Carlos Roberto e Luiz Antônio; Maria Geraldina Lopes de Faria Tavares, residente em Belo Horizonte, casada com o engenheiro-agrônomo Geraldo Matos Tavares. Suas filhas, Elisabeth, Ângela e Raquel; Geraldino Lopes de Faria, médico-veterinário, residente em Belo Horizonte, casado com Fernanda Almeida Faria. Filhos: Maria de Lourdes, Valéria e André; Geraldo Lopes de Faria, tabelião, ex-prefeito de Viçosa. Coincidentemente, promoveu a abertura da Avenida que tem o nome de seu genitor, e instalou a subestação da CEMIG. É casado com Liana Nacif de Faria e, tem os filhos Maurício, Guilherme e Henrique; Jandira Faria Vieira, artista plástica de nomeada, esposa do professor Clibas Vieira, e tem os filhos: Rogério, Rosana e Milene. Só Joaquim teria hoje 20 bisnetos.

A respeito de sua pessoa, o Dr. Sebastião Ferreira fez uma perfeita descrição, no jornal Cidade de Viçosa, em 04.11.1973. "Joaquim Seleiro". Ficava sua tenda de trabalho debaixo de um sobradinho velho, onde mal cabia a sua modesta oficina: uma máquina, dois banquinhos, uma prateleira, destinada às ferramentas, um pequeno balcão, sobre o qual fazia as aparas de couro e, debaixo, o depósito de sola. 0 resto do espaço, atrás do balcãozinho, mal cabia o seu corpo franzino, de mãos hábeis e calejadas. A faca de aparar estava gasta de cortar, as suvelas, lisas e afiadas de tanto suvelar.

Dentro desta modesta oficina trabalhava o mestre seleiro e grande artífice que só as domingos descansava. Dali saíam as obras mais perfeitas: selins, socadinhos, lombilhos, cabeçadas, loros e rabichos... Que mãos hábeis e condecoradas pelos calos! Numa bainha de faca estava sozinho; faziam-nas rápido, bordadas, a gosto do freguês. Ali, caboclo embanhava sua faca, colocava-a à cintura, e saía triste de não as poder exibir nas ruas da cidade.

E os socadinhos e lombilhos, que perfeição! Compunham os cavaleiros e as montarias e eram conhecidos longe, muito longe da cidade.

Neste pequeno cômodo, reuniam-se os grandes, os médios e os pequenos, para o bate papo e para ver o artífice trabalhar. A música da conversa não o perturbava. A sua palestra era agradável, cheia de humorismo leve e requintado.

Assim, viveu largos anos, pai de uma família numerosa, dono de uma casa farta, cheia de filhos bons e trabalhadores, formados, elementos de valor positivo à sociedade."


Praça Silviano Brandão, 14/04
Centro
36570-000  Viçosa  MG
Fone: (031)891-1035
Fax: (031)891-1272
postal@tdnet.com.br
R. Benjamin Araújo, 56
Centro
36570-000  Viçosa  MG
Fone: (031)891-1272
td@tdnet.com.br