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| Monsenhor Modesto Paiva |
Em meio a uma infinidade de flores variadas que despontam no cume dos montes, nas bordas dos regatos, nas concavidades, dos rochedos; num planalto formado pela separação de duas montanhas, inspirando silêncio e recolhimento, encontrava-se o Colégio Caraça. Ali, aos 14 anos de idade, Modesto Paiva começou a sentir a influência benfazeja dos padres lazaristas, em sua formação moral e religiosa. Graças aos ensinamentos hauridos no ambiente austero do vetusto educandário, ele se viu preparado para a vida. O fato de alguns padres do Caraça hospedarem-se na casa de seus pais, de mês em mês, aguçou-lhe os sentimentos religiosos. A humildade e o desapego, inerentes à pessoa do cônego, podem originar-se no comportamento dos genitores que, além de abrigarem, gratuitamente, aqueles jesuítas do saber, ainda pensavam os seus cavalos. Disciplina, ordem, zelo pela Igreja, e honestidade, sem deslize, fazem-no amado por muitos e temido por alguns. Verdadeiro pescador de almas, escrupuloso na distribuição das espórtulas. Ordenou-se, em Mariana, aos 29 de novembro de 1925. Trabalhou um ano, como coadjutor, em Cataguases. Foi nomeado Vice-Reitor de uma Escola, fundada por D. Helvécio. De lá foi para Ferros e, novamente, em Cataguases, como vigário, segundo ele, viveu oito anos de intensa felicidade, em meio a um povo alegre e de espírito energizado. Em São João Del Rei, ficou dois anos, e adoeceu, tendo de ir para Juiz de Fora, submeter-se a uma cirurgia, ficando hospitalizado por 122 dias. Veio para Viçosa, em 1943, como Capelão da Escola Normal Nossa Senhora do Carmo, ocupando o posto, por quatro anos. Por insistência do Arcebispo, aceitou ser pároco da Matriz de Santa Rita, em substituição ao padre Álvaro. Morou, durante sete anos, num cômodo minúsculo, situado por cima da sacristia. A casa paroquial ele a alugou, com a finalidade de angariar fundos para a igreja que estava prestes a cair. Mas os resultados não eram satisfatórios. Consertava de um lado caía do outro, e urgia construir nova Matriz. Orações, fé, incentivo e trabalho foram o seu baluarte no início, em 06 de novembro de 1950, da imprescindível construção, orçada, na época, em cinco milhões de cruzeiros. O Cônego planejou tudo, de acordo com a santa padroeira, Santa Rita de Cássia. Batalhou, lutou e pôde ver, aos 12 de dezembro de 1953, a obra construída, faltando apenas alguns acabamentos. Acompanhou o arquiteto, no sentido de que fossem instalados lugares, no sopé da torre da Matriz, para os protetores da Santa: Santo Agostinho, São João Batista e São Nicolau Florentino. Todo o povo participou, até os moradores das casas de São Vicente de Paulo. Foi uma luta que trouxe benefícios aos fiéis e à comunidade. Rigoroso e enérgico não admitia conversa dentro da igreja, não dava comunhão, não fazia casamento e convidava a retirar-se do santuário mulheres com vestidos decotados, sem manga ou de calça comprida. Os homens eram separados das mulheres, tanto nos bancos da igreja, quanto nas procissões. Impunha respeito e fazia meditar. Amigo incomparável do fazendeiro da região, Juquinha de Paula. Em 12 de outubro de 1955, deixou Viçosa. Trabalhou na residência dos padres, em Belo Horizonte, cuidando de seu pomar e do jardim. Quem o conhece, e tem a ventura de orar com ele, sem dúvida, recebe graça. Modesto Paiva nasceu em 16 de junho de 1898, em Brumal de Santa Bárbara e é filho de Joaquim do Nascimento Paiva e de Maria José Paiva. Atualmente, mora em Tabuleiro do Pomba, próximo de Juiz de Fora. |
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