![]() |
| Antônio Secundino de São José |
Foi um cientista de ampla visão. Graças a seu espírito de liderança, desempenhou uma série de funções no decorrer de sua vida e, em todas, imprimiu a marca de seu dinamismo. Pioneiro na pesquisa e seleção do híbrido de milho comercial no País, um dos fatores que tornou possível um rápido aumento na produtividade do cereal. Acompanhando o progresso no exterior, nessa área, fez-se convincente propagador de sua descoberta. Não relutava em oferecer seu produto, de fazenda em fazenda. O milho híbrido foi o marco de uma das transformações mais profundas da agricultura, razão de ter sido tema de reportagem das Seleções, publicação internacional de nomeada, na época. Para se falar do homem, tem de conhecer seus feitos. A luta de Secundino em transformar mentalidades, conta com os elementos de uma história em que o pioneirismo e a tenacidade foram importantes fatores. Fontes de financiamento de capital inexistiam. Tampouco programas de crédito. Secundino buscou ajuda do sogro, Aristides Bittencourt, que não acreditava no híbrido, mas apostava na inteligência e espírito de determinação do genro. Emprestou-lhe, então, trezentos e setenta contos de réis. O trabalho da introdução da semente, grande razão da vida de nosso biografado, custou anos-a-fio de pesquisa e prestação de serviços. Tornou-se, porém, mais difícil do que preparar o híbrido, convencer os agricultores a utilizá-lo. Era imperioso ser moderado, corajoso, idealista e persistente. Antônio Secundino de São José, mineiro de Presidente Olegário, nasceu aos 16 de fevereiro de 1910. Era filho de Secundino José da Fonseca, agricultor de fundo de sertão, que faleceu, deixando-o ainda criança, e de Baldina de Araújo. Sua mãe, semi-analfabeta, querendo que os filhos aprendessem a ler, escrever e fazer contas, contratou um fazendeiro vizinho para ensiná-los. O pagamento era feito, de quando em quando, com um porquinho ou uma galinha. Aos nove anos, foi para um colégio interno, em Uberaba. A mãe havia contraído segunda núpcias, e o padrasto o ajudou a adquirir 70 cabeças de gado, para custear os estudos. Terminou o Ginásio, aos 14 anos de idade, experiente no comércio de gado e no cultivo da terra. Em 1928, aberta a Escola de Agricultura de Viçosa, Secundino matriculou-se numa classe de onze estudantes calouros. Foi o primeiro engenheiro-agrônomo a formar-se pela ESA, em 15 de dezembro de 1931, com brilhantismo e média geral de 80,5. Atuou como professor, no período de 1933 a 1939. Sua aplicação na pesquisa valeu-lhe uma bolsa para treinamento de seis semanas, no Mississipi, e um curso de pós-graduação na Faculdade de Iowa, nos Estados Unidos. "Fui mais de olho no algodão e na cana-de-açúcar, mas acabei me interessando pelo milho híbrido". Em 1938, Secundino organizou um departamento de genética vegetal, em Viçosa, escolhendo como assistente o recém-formado Gladstone Almeida Drummond. Confiantes nos resultados de pesquisa e com experiência nas linhagens puras de milho, iniciaram os testes. O trabalho começou com meio quilo de uma variedade do Texas, mais o milho catete, comum em nosso Pais. Após oito anos, em 1945, acontecia a fundação da Agroceres, quando veio à lume o primeiro híbrido comercial brasileiro. A semente, lançada por Secundino, deu frutos. Multiplicou-se Brasil afora e foi parar no exterior. É o maior complexo do hemisfério Sul de pesquisa, produção e comercialização de insumos agropecuários. Secundino casou-se com Memorina Bittencourt de Araújo, com quem teve três filhos: Ney, engenheiro-agrônomo pela Escola Superior de Agricultura (ESA), atual UFV, seu herdeiro na Agroceres; Nice, economista doméstica, pela UFV e Neide, psicóloga. Dos netos o mais velho é Frederico Vanetti de Araújo. Fundador e primeiro Diretor do Instituto Agrícola de Maruipe, em Vitória, ES. Professor Assistente do Departamento de Agronomia da Escola Superior de Agricultura do Estado de Minas Gerais, em Viçosa. Chefe do Departamento de Genética, Experimentação e Biometria da mesma Escola. Secretário da Agricultura, Indústria e Comércio, Viação e Obras Públicas da Paraíba (1941-42). Técnico da General Inc. do Brasil, produzindo óleo de fígado de tubarão (vitamina A), no Rio Grande do Sul e na Argentina. Diretor da Escola Superior de Agricultura, da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, além de Membro do Conselho Universitário da mesma Universidade. Sócio-fundador e primeiro Diretor do Comitê Nacional dos Clubes 4-S, Rio de Janeiro. Membro Efetivo do Conselho Diretor da UFV. Um dos fundadores e primeiro presidente da Associação de Ex-Alunos da Universidade. Fundador da "Marcha Nico Lopes", passeata dos calouros, "que traziam a síntese do espírito esaviano, aquele vigor intelectual e emotivo, que a Escola Superior de Agricultura de Viçosa, hoje Universidade, sabe desenvolver em seus estudantes". Secundino foi uma das pessoas mais ligadas à história da UFV. Constituiu-se elemento de realce nos estudos e trabalhos de transformação da ESA em Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, concretizada pelo governo mineiro, a 13 de novembro de 1948, conforme Lei nº 272. Digno de respeito e admiração. Confiava nos outros e cria nele. Secundino deixou rastros nobres nos filhos, nas famílias de seus mil e setecentos companheiros, aproximadamente, do grupo da sua tão ama Agroceres. Que nós, brasileiros, tanto precisamos. Faleceu, em São Paulo, SP, à 1 h e 40 min., aos 19 de maio de 1986. |
|